Paz
Transformar a tristeza em energia produtiva. Cultivar a paz, espalhar a paz.
Para vocês, mães.
Paz
Transformar a tristeza em energia produtiva. Cultivar a paz, espalhar a paz.
Para vocês, mães.
sede
Hoje tenho sede
(E como a sede é diferente da fome!
A fome dói e a sede angustia)
Hoje tenho sede de tanto que há por fazer
Tenho sede daquilo um dia fui
Tenho sede
A sede arde
Seu desejo é o refresco, a brisa, a água pura
Sede que hoje me procuro em ti
Tenho sede de teu beijo, de teu sorriso
Hoje
Como uma necessidade.
Sede.
Sede, nesta viagem sem tempo.
Sede de sentir.
Sede de mim mesmo.
Sede que te encontro em mim.
Jean
E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?
José Saramago

“Todos nós estamos matriculados na mesma escola, a escola da vida, cujo único mestre é o tempo”. (Cora Coralina)

"Que nenhuma opinião seja uma convicção absoluta, imutável. Que o dia de hoje seja sempre uma passagem feita de soma das experiências de ontem, enriquecida das experiências de amanhã... somente com esta condição nosso trabalho nunca será monótono nem sem esperança"
Janusz Korczak

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
- Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.
Carlos Drummond de Andrade. Deixa que eu conto. São Paulo: Ática, 2003

Como sempre, estou afogado no meio de muitos compromissos de trabalho. O mais pesado, claro, é a redação do doutorado porque exige concentração extrema e fôlego para escrever, escrever, escrever... Isto tudo, no entanto, não me impede de sonhar e compartilhar um pouquinho destes sonhos...
Num Dia (Arnaldo Antunes / Hélder Gonçalves / Manuela Azevedo / Chico Salém)
Sujar o pé de areia pra depois lavar na água
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vaga-lume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
Sujar o pé de areia pra depois lavar na água
Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Não esperar nada acontecer
Ser gentil com qualquer pessoa
Sujar o pé de areia pra depois lavar na água
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vaga-lume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Ter saudade no final da tarde
Para quando escurecer, esquecer
Ao se deitar para dormir, dormir
Dormir.
Briga de torcida organizada é uma das coisas mais sem sentido da atualidade. Todos passamos por tantas dificuldades. Não é fácil entender o desejo de arrumar problemas. Descontar a raiva no outro revela uma fraqueza psicológica imensa. A falta de integridade de caráter e de personalidade é aguçada pela constatação de que só se age em grupo. É preciso pensar um pouco. Dizer que seu time de futebol é a coisa mais importante da sua vida é uma auto-ilusão muito grande. Sua família, seus amigos, sua religião seus estudos e seu trabalho têm muito mais valor. Jean

Quadrinho de André Dahmer

Sublime graça
Quão doce é o som, que salvou um náufrago como eu.
Eu estava perdido mas agora fui encontrado.
Eu estava cego, mas agora eu vejo.
Foi a graça que ensinou meu coração a temer. E a graça aliviou meus medos.
Quão preciosa aquela graça que apareceu na hora em que acreditei.
Por muitos perigos, dificuldades e armadilhas eu passei até aqui.
Esta graça me trouxe em segurança de tão longe...
E esta graça me conduzirá para casa.
(Amazing Grace, John Newton)
Eleições, disputas, greve...., é o trem tá feio aqui na faculdade (ou será que assim é que é bonito?)
Disse que aqui mais nada é de graça,
nada é de coração
Vamos num tal de toma-de-lá dá-cá,
minha nega eu pago pra ver
Ver por debaixo o osso do angu
Disse que aqui mais nada tem troco,
tudo o que vai não vem
Perdem bodoque, facão, corneta, quebra a defesa nega fulô
Que o trem tá feio e é bem por aqui
Meu facão guarani quebrou na ponta, quebrou no meio
Eu falei pra morena que o trem tá feio, iá, iê, iá, oiá
E a cana-caiana eu disse a raiva, carne de sol
Palha, forró e fumo de rolo, tudo é motivo pra meu facão
Arma de pobre é fome, é facão
Abre semente, aperta inimigo, espeta até gavião
Corta sabugo e lança um desafio, não conta nem até três
Que o trem tá feio e é bem por aqui
Meu facão guarani quebrou na ponta, quebrou no meio
Eu falei pra morena que o trem tá feio, iá, iê, iá, oiá

Palavrear é fugir do desespero,
Do vazio inconsciente,
Que não se sabe certamente
Se é breu ou é luzeiro.
Quem dera ser um poeta antigo,
Daqueles que falavam oh! Mares!
Quem dera atingir outros patamares.
Mas contingente é que prossigo.
Quem dera ser e simplesmente
Apagar as expectativas,
Deixando fluir livremente
Aquilo que a pobre mente
Finge que ainda olvida,
Que o ser, na verdade, se faz na lida
E se revela no íntimo
Pelo que pensa e, no silêncio, sente.
Jean, 18 de março de 2012
É preciso uma pausa. Um respiro. Lembrar que nós, meros imortais, somos menos do que achamos, mas podemos mais. De olhos fechados se pode ver. A água e o vinho. A música e o silêncio. O ser, o destino e a escolha. Jean

Honestidade nunca será demais, sua moral não se ganha, se faz! (Racionais Mc's)
Estive em Curitiba e relembrei a sisudez do povo tradicional. Aquela ausência de docilidade e carinho no trato interpessoal, a inteligência e a arrogância dos antiquários e dos modernosos. É claro que não é regra e não se pode generalizar a partir de uma pequena experiência.
Curitiba me desperta saudades, dia virá em que todos serão um pouco Leminskis.
Poetas Velhos [Paulo Leminski]
Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.
Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.
Minha vida é entre livros. Objeto de meu fascínio, produzo o meu livro da vida. Parágrafo a parágrafo. Linhas leves e tortas. Ler e ser lido, eis o mistério do mundo. Jean
Meu perfil
BRASIL, Sul, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Arte e cultura, Livros